“O governo está prometendo mandar ao Congresso Nacional o projeto de Reforma Trabalhista ainda neste primeiro semestre de 2017. Se aprovado, profundas mudanças nas relações entre patrões e empregados acontecerão e, certamente, nada de muito bom para o lado dos trabalhadores.

A perda de direitos é uma constante na proposta de Reforma. As Centrais Sindicais têm sido constantemente chamadas ao debate mas, ao que tudo indica, este diálogo entre o governo e o Movimento Sindical também não tem sido muito produtivo no sentido de proteger os trabalhadores, já que o governo parece não querer abrir mão de precarizar cada vez mais as garantias legais que o trabalhador possue hoje e que foram construídas e conquistadas com muita luta durante décadas.

A questão a se refletir aqui, dentre tantas, é a seguinte: o movimento sindical está preparado para enfrentar essa difícil batalha em defesa dos trabalhadores? A divisão entre as centrais sindicais não é o cenário perfeito para o enfraquecimento de nossa luta? Diante de um cenário de fragilidade dos trabalhadores gerado pela fraqueza da economia e o desemprego, teremos condições de reverter o quadro de perda de direitos com uma Reforma Trabalhista? Certamente são muitas questões a serem pensadas e debatidas.

Mais do que nunca, todas estas questões passam em primeiro lugar por nossa união. O diálogo com o governo e a possibilidade de avançarmos no sentido de garantirmos nossos direitos estará, sobretudo, em nossa capacidade de termos uma agenda e uma estratégia única no sentido de nos mantermos fortalecidos para os desafios que estão colocados. No limite, nossa unidade será a única alternativa possível. Sem ela, veremos ir por terra muitos dos direitos conquistados a duras penas e com muita luta pela Classe Trabalhadora e seus Sindicatos”.

Cláudio Magrão
Presidente da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo