Mantendo a tradição de muitos anos, o Sindicato deu início às comemorações de 1º de Maio com a missa do trabalhador e em ação de graças, reunindo centenas de pessoas no Espaço M.

Presidida pelo padre Leandro Megeto, pároco da Paróquia Nova Jerusalém, a celebração foi emocionante e contou com trabalhadores de todas as idades, de várias empresas, que foram agradecer pelo trabalho ou pedir pelos desempregados. “É bom começar esse dia ouvindo a Palavra de Deus e agradecendo o que temos”, disse o metalúrgico Alan César, metalúrgico da Foxconn, que assistiu a missa acompanhado da esposa Laura e da filha Larissa, de 2 anos.

 

A imagem de São José Operário, padroeiro dos trabalhadores, ganhou lugar de destaque no altar. “Ele teve um papel fundamental na vida de Jesus, educando-o e ensinando-o sobre o valor e a importância do trabalho. Foi dentro de uma carpintaria que Jesus, ainda menino, aprendeu tudo isso”, explicou padre Leandro.

Em sua homilia, ele comentou que, apesar das dificuldades que enfrentamos, Deus nunca nos abandona. “Ele é o braço forte, a mão poderosa nos momentos difíceis. Precisamos acreditar nisso sempre, mesmo quando as coisas nem sempre saem do jeito que a gente quer. Há um Salmo que diz: ‘Se a noite vem o pranto nos visitar, de manhã vem saudar a alegria’. Se num dia as coisas são difíceis de realizar, no dia seguinte vem a mão de Deus em nosso auxílio.”

Ele também comentou sobre a atuação do Sindicato na região, suas lutas e conquistas em prol dos trabalhadores e leu a mensagem da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pelo Dia do Trabalho. Abaixo, segue parte do texto:

“(…) Conforme temos insistido em nossos pronunciamentos, solidários com os movimentos sociais, especialmente com as organizações de trabalhadores e trabalhadoras que sofrem com as injustiças, com o desemprego e com as precárias condições de trabalho, reafirmamos seu papel indispensável para o avanço da democracia, apoiamos suas justas reivindicações e os incentivamos a contribuir, em clima de diálogo amplo e manifestações pacíficas, para a edificação da justiça, da fraternidade e da paz no mundo do trabalho, sendo “sal da terra e luz do mundo”, segundo a Palavra de Jesus.

Neste 1º de maio, mais uma vez, conclamamos os católicos e todas as pessoas de boa vontade a vencerem a tentação da indiferença e da omissão, colocando-se decididamente ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras, assumindo a defesa de seus direitos e de suas justas reivindicações. (…)”

E encerrou sua homilia dizendo: “O Senhor vai produzindo novos frutos em cada um de nós. Deus tem o poder para recriar tudo que está destruído, por isso, tem o poder de construir de novo esse país tão afetado pela corrupção. O Brasil só ainda não quebrou porque tem um povo trabalhador, que santifica seu trabalho, um povo cristão, temente a Deus e fiel ao Senhor, que luta e labuta todo dia”, reforçou padre Leandro, elogiando também a criatividade dos trabalhadores brasileiros em tempos de crise.

Na procissão do ofertório, diretores do Sindicato levaram até o altar, ferramentas e instrumentos de trabalho. Toda a missa teve animação do Ministério de Música Ruah, da Paróquia São João Bosco.

Ao final da missa, o presidente do Sindicato Eliseu Silva Costa leu um poema sobre a vida de um homem desempregado, e lembrou da importância de se rezar pelos quase 13 milhões de desempregados que há no Brasil. “Essa data, de 1º de maio, surgiu depois de muito conflito e da morte de vários trabalhadores, em Chicago, em 1886, que lutavam por melhores condições de trabalho. Por isso a importância de iniciarmos esse dia com uma missa em ação de graças.”

Um dos momentos fortes da celebração foi a benção com o Santíssimo Sacramento, quando padre Leandro percorreu todo o Espaço M levando o ostensório para perto das famílias dos trabalhadores. Nessa hora, carteiras de trabalho,  fotos e outros objetos pessoais foram levantados para serem abençoados.

Amanda Casagrande foi uma jovem trabalhadora que, nesse momento, ergueu sua carteira de trabalho. Formada em Arquitetura, ela conta que sua primeira ação nesse dia é sempre participar da missa no Clube de Campo do Sindicato. “Venho justamente pra agradecer e pedir por uma oportunidade no mercado de trabalho como autônoma. Sustentada pela minha fé, eu sempre busco fazer o melhor na minha profissão, mas sempre ligada com Deus, com certeza.”

Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos de jundiaí