É a esperança que faz a pessoa lutar, superar obstáculos, vencer discriminações, buscar seu lugar ao sol. Sem esperança não se constrói uma família, um partido, um Sindicato e muito menos um País.

Pois bem: a Folha de S.Paulo, domingo (17), trouxe de manchete: “Se pudessem, 62% dos jovens brasileiros deixariam o País”. É chocante, pois mostra que o jovem perdeu a perspectiva e procura um lugar – longe da terra onde nasceu – para realizar seus projetos e sonhos. Quantas pessoas isso significaria? Nada menos que 19 milhões!

E muitos já estão caindo na estrada. A própria Folha informa que, em 2017, o número de jovens que se mudou do País foi o dobro das mudanças registradas em 2008. Uma das moças entrevistadas disse: “Não quero virar motorista de Uber, nem vender brigadeiro pelas esquinas”.

A perda de parcela da juventude significa para um país também perder parte considerável de seu vigor, da capacidade de trabalho, de seu poder criativo, de sua inteligência – pois os de melhor formação encontram mais oportunidades no Exterior.

O Brasil já foi cantado em verso e prosa como País do futuro. Mas, vejamos, toda vez que uma oportunidade concreta se materializa, a roda da história gira pra trás. Getúlio, com seu projeto nacional-desenvolvimentista, foi levado ao suicídio; JK quase não pôde assumir seu mandato e governou imerso na crise; Jango foi derrubado do poder; e Lula deu no que deu.

Essas interrupções violentaram gerações inteiras, cortaram sonhos, desorganizaram projetos, desorientaram o próprio País.

Este ano, teremos eleições quase que gerais. Quem representa esperança? Quem representa mudança pra melhor? Quem – dos candidatos – pode olhar nos olhos de um rapaz ou de uma garota e dizer, honestamente: – Eu vou fazer um governo que resgate a esperança dos brasileiros e propicie um futuro melhor? Alerto que não vale propor a volta a um passado fantasioso – de ordem, paz, segurança e progresso – porque isso nunca existiu de verdade.

Eu não tenho a fórmula para fazer o Brasil ser feliz e nossa juventude restabelecer suas esperanças. Mas sei de algumas coisas. Sei que sem educação de qualidade, sem crescimento econômico, sem qualificação profissional, sem planejamento urbano, sem políticas públicas de inclusão e sem ruptura com o capital financeiro que nos asfixia estacionaremos no atraso e não chegaremos a lugar nenhum.

José Pereira dos Santos
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região
e secretário nacional de Formação da Força Sindical
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