No Rumo da História

Os desafios do movimento sindical para este ano prometem ser
um divisor histórico de águas.  Em meio a
uma confusão jurídica que advém da Reforma Trabalhista de 2017, sequer
avançamos em questões de representatividade, financiamento sindical ou
garantias de direitos para os trabalhadores. Enganou-se quem achou que a
Reforma pudesse ser o quadro pior.

As eleições de 2018 trouxeram nuvens bem mais pesadas para
aqueles que defendem direitos civis e sociais. Iniciamos o ano de 2019 sem o
Ministério do Trabalho; com uma agenda econômica ultra liberal ; com a promessa
de aprofundamento da Reforma Trabalhista e com uma Reforma na Previdência
Social e nas aposentadorias prejudicial aos trabalhadores colocada como a
principal pauta deste governo. Tudo isso e muito mais, somado a um quadro de
crise econômica, desemprego estrutural e nenhum canal de negociação possível
com o atual governo.

Diante de tantos fatores negativos para os trabalhadores e
seus sindicatos, só nos resta manter o espírito de nossa própria origem, ou
seja, nossa união. Foi através dela que, historicamente, crescemos e nos
fortalecemos, conquistamos e garantimos direitos, avançamos política e
socialmente e será, apenas através daquilo que nos une que poderemos segurar o
difícil momento de retrocessos que agora nos é imposto.

Resiliência e resistência. Estratégias e unidade nas ações
podem parecer palavras ou conceitos genéricos demais diante da nossa realidade.
No entanto, somar forças e basear nosso trabalho exclusivamente nos anseios dos
trabalhadores, os seus direitos e reivindicações, sempre foi e sempre será nossa
maior força e, certamente, através dela saberemos garantir que a luta da classe
trabalhadora siga seu rumo de conquistas através da História.

Eliseu Silva Costa – Presidente da Federação dos
Metalúrgicos do Estado de São Paulo