Estamos em plena Copa do Mundo, com as atenções naturalmente voltadas para a Rússia e a seleção brasileira, mas nem por isso deixamos de acompanhar as ações – ou a falta delas – por parte do Governo Federal, no sentido de tentar recuperar a economia brasileira. Perseguição ao movimento sindical, mutilação da legislação trabalhista, juros altos e falta de estímulo à produção são os elementos que ajudaram a compor o cenário brasileiro atual. E o resultado é o que estamos vendo nas ruas: produção parada, desemprego elevado e falta de perspectivas.

Os números são frios e comprovam esta realidade. De acordo com o IBGE, o desemprego no Brasil foi de 12,9% no trimestre encerrado em abril deste ano e subiu em relação ao mesmo período do ano passado, quando ficou em 12,2%. São 13,4 milhões de pessoas à procura de trabalho – um índice vergonhoso e que comprova o fracasso total da chamada reforma da CLT. Feita às pressas e com a justificativa de que iria aquecer o mercado produtivo, vem causando exatamente o efeito contrário, ou seja, mais recessão.

Outro indicador preocupante são os juros. A decisão de manter a taxa Selic em 6,5% ao ano foi tomada com a velha desculpa de conter a inflação, mas acaba trazendo efeitos colaterais como a estagnação. Ou seja, entramos na contramão do processo de retomada do crescimento: as empresas não tem acesso a recursos para investir na produção, o que impede a criação de novas vagas e mantém a economia desaquecida. Um ciclo que conhecemos bem e que corrói o país a médio e longo prazo, caso não seja revertido com rapidez.

Mas o maior problema está mesmo no Governo Federal, a quem cabe tomar todas as decisões. Sem legitimidade, sem ligação com a sociedade, à deriva, a gestão Temer é mais um capítulo lamentável da história política brasileira. Vai se arrastar assim até o final deste ano, levando com ele qualquer tipo de esperança de um futuro melhor para o país.

Assim que a Copa do Mundo se encerrar, dentro de mais alguns dias, terá início o processo eleitoral propriamente dito no Brasil. Será um momento importantíssimo para a sociedade, pois estará em jogo o futuro do País. Uma coisa é certa: as nações que conseguem estruturar sociedades mais justas e igualitárias, com serviços públicos de qualidade, investindo em áreas como educação e saúde, são aquelas que apostam no desenvolvimento de sua economia – ou seja, em seus trabalhadores, que constituem a força motriz de qualquer sociedade organizada e progressista.

Pedro Alves Benites é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Suzano e 2oTesoureiro da Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo