Os cerca de 3,7 mil trabalhadores na Foxconn II (Anhanguera), em Jundiaí – única fábrica de iPads fora da China, decidiram, em assembléia realizada na tarde desta quinta-feira (11), entrar em greve por tempo indeterminado. Eles não aceitaram a proposta da empresa, que solicitou um prazo de 15 dias para apresentação de um plano de cargos e salários e 30 dias para que essa nova estrutura seja colocada em prática.

O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos Evandro Oliveira Santos, destacou que não existe na empresa uma organização de cargos e salários, nem uma organização de estrutura. “Eles precisam apresentar uma estrutura para que o trabalhador, quando entrar na empresa, possa saber até onde pode chegar”, disse, lembrando que em fevereiro de 2013 já ocorreu uma greve na empresa, pelo mesmo motivo. “Os trabalhadores cansaram de dar prazos e não ver a reivindicação atendida”.

O presidente do Sindicato, Eliseu Silva Costa, foi incisivo ao acusar a empresa de desrespeitar os trabalhadores. “Todo mundo está estagnado por baixo. Queremos que o trabalhador seja reconhecido, tratado com respeito, e isso nós não vemos aqui”, disparou.

Outra preocupação dos trabalhadores era com relação à PLR. O Sindicato defendia uma revisão no atingimento de metas para garantir o pagamento aos trabalhadores. “A empresa vinha promovendo descontos no valor inicialmente acordado por conta de uma auditoria que teria detectado alguns problemas de zelo. Mas conseguimos que eles cancelassem esses descontos e passassem a fazer a nova avaliação a partir de setembro”, explicou Eliseu.

O Sindicato aguarda agora uma manifestação por parte da empresa para uma possível retomada de negociações. “Qualquer proposta que venha a surgir, levaremos para apreciação dos trabalhadores”, arrematou.